A morte é a certeza mais dolorosa da vida, e anda com ela de mãos dadas. A recuperação é lenta e gradual, além de contar com o tempo como seu mais forte aliado.

A pessoa que passa por uma perda, também é ativa no processo de recuperação, sendo que há algumas “tarefas” a serem feitas para que se possa ter um luto bem resolvido. Quando não acontece desta forma o luto passa de sadio para patológico, que é quando as fases que devem se desfazer com o tempo acabam se arrastando durante a vida desta pessoa.

Mas o que é o luto, afinal? Quando perdemos  uma pessoa ou um objeto com grande valor,  acontece em nós  um vazio,  e este processo é denominado de luto, mas consiste também em uma adaptação à perda vivida que envolve as fases para que isso aconteça. Mas Sanders (1999) acredita que o luto se dá somente quando a pessoa toma consciência da perda.

O choro é um mecanismo de adaptação, e neste caso desenvolvido para recuperar a figura perdida (para manter o vínculo).

Este processo de perda é diferente de um sujeito pro outro considerando-se também a faixa etária.

Em relação às crianças e adolescentes é preciso um cuidado específico. A reação das crianças está diretamente ligada ao estágio de desenvolvimento em que ela se encontra, à maneira com que os adultos lidam com elas em relação à morte e do grau de cuidado que elas tenham perdido devido à morte.

No caso dos adolescentes, quando a perda se trata de um dos pais, conduz sempre a um caso depressivo importante, mesmo que isto tenha acontecido a muitos anos. O processo de elaboração faz-se num maior espaço de tempo do que no caso dos adultos. Dois pesquisadores, Fahs e Marcelli (1994 cit. por Marcelli, 2002) constataram que aumenta-se o risco de um quadro de Depressão Maior na adolescência, tanto nas meninas como meninos.

Há alguns sentimentos comuns dentro deste processo de luto, com os quais devemos lidar de forma correta para que possamos superar este vazio de forma saudável:

  • Tristeza: é o sentimento mais comum em quem está de luto, e geralmente é manifestado pelo choro;
  • Raiva: um dos sentimentos mais confusos para o enlutado. Ela advém de duas fontes: sensação de frustração pela impotência contra a morte, e pelo sentimento de vulnerabilidade, incapacidade de existir sem o outro. Mas não se deve culpar outras pessoas e nem a si mesmo, podendo se assim for, levar até  a tentativas suicidas;
  • Culpa e auto-censura: aparece geralmente pelo fato de o indivíduo acreditar que não deu o seu melhor para o falecido, não fez tudo o que podia, mas como na maior parte isso é irracional deverá aparecer conforme a realidade for seguindo seu rumo;
  • Ansiedade: pode ir de uma sensação de insegurança até um grande ataque de pânico. Quanto mais intensa e persistente for esta ansiedade mais sugere uma reação de sofrimento patológica. As origens são duas: a pessoa acredita que não conseguirá cuidar-se sozinho e da consciência do seu próprio destino final, a morte.;
  • Solidão: este sentimento é frequentemente mais sentido por aqueles que perderam seus cônjuges ou que mantinham contato diário com quem se foi;
  • Fadiga: às vezes é experimentado como apatia ou indiferença;
  • Desamparo: está diretamente ligado à primeira fase da perda;
  • Choque: é mais notado no caso de mortes inesperadas, mas também pode ser sentido em mortes já previsíveis;
  • Anseio: ocorre quando a pessoa deseja fortemente que a pessoa que morreu volte, mas quando diminui é um indício de que o sofrimento está se findando;
  • Emancipação: a libertação pode ser positiva no caso da perda de alguém que oprimia outras pessoas, por exemplo;
  • Alívio: é comum quando a pessoa querida sofria de uma doença dolorosa e por muito tempo, mas também é acompanhada de um sentimento de culpa por este alívio;
  • Torpor: este sentimento é comumente vivido no início do trauma quando as pessoas relatam ausência de sentimentos, pode ser uma reação saudável bloquear os sentimentos quando no início poderia ser uma dor sufocante, esmagadora  e insuportável.

Existem também várias sensações físicas que são encontradas nesta situação: vazio no estômago, aperto no peito, hipersensibilidade ao barulho, nó na garganta, falta de fôlego, fraqueza muscular, falta de energia, boca seca e nada parece real.

Além da lista de sensações físicas, há também diversos comportamentos comuns: distúrbios do sono, distúrbios de apetite, andar aéreo, isolamento social, sonhos com a pessoa que faleceu, evitar lembranças da pessoa que se foi, suspirar, procurar e chamar pelo ente querido, agitação, chorar, visitar lugares que lembrem a pessoa perdida, guardar o objetos da devida pessoa ou evitar lembrar dela.

Este post foi baseado em um artigo científico de Rita Melo de 2004.

Continuaremos com o tema na próxima postagem, na qual falaremos sobre os 4 itens para superar o Luto. Até lá!

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Comentários em: "O Luto – parte 1" (3)

  1. […] continuação ao post anterior seguimos com nosso estudo sobre o […]

  2. […] parte partiremos para o estudo das 5 fases do luto, como já mencionamos nos posts anteriores (Luto – parte 1 e Luto – parte […]

  3. […] filme, que eu particularmente recomendo, podemos observar na personagem principal: culpa, processos de luto, estabelecimento de vínculos, doação de órgãos, dentre […]

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