Nesta terceira e última parte partiremos para o estudo das 5 fases do luto, como já mencionamos nos posts anteriores (Luto – parte 1 e Luto – parte 2).

As 5 fases deste doloroso processo consistem em: 1. Choque; 2. Consciência da perda; 3. Conservação – retirada; 4. Cura e 5. Renovação. Estas fases também estão submetidas a 3 niveis:  emocional, biológico e social.

1. Choque: o enlutado fica entre um confuso estado de descrença e um imenso estado de alarme. A pessoa também sente uma espécie de anestesia dos sentimentos, o que acaba protegendo-a do grande sofrimento que ainda sentirá. No nível emocional há um impacto. No nível biológico um trauma. E socialmente acontece egocentrismo.

2. Consciência da perda: acontece à medida em que o torpor começa a desaparecer, e então, o sujeito confronta-se com a perda em questão. Surge a ansiedade da separação enquanto o enlutado prepara-se para o que sente como um esgotamento nervoso. Os sentimentos de perigo que predominam agora, fazem com que pareça não haver nenhum lugar seguro. O nível emocional refere-se à ansiedade. Biologicamente acontece o estresse agudo. Socialmente  há uma regressão.

3. Conservação – retirada: uma grande fadiga atinge o enlutado e as mais simples tarefas parecem difíceis. Esta fase se parece muito com a depressão, o que pode assustar a pessoa, pois ela acaba tendo que se retirar para preservar a pouca energia que lhe resta neste momento. No entanto, é neste período que a pessoa consegue fazer o trabalho de luto necessário. Longe dos outros, ela pode digerir a situação e se preocupar com o que/quem foi perdido. Percebe então, que não há nada que se possa fazer para ter de volta o que se perdeu.  O trabalho de luto, depende assim, da aceitação da perda e das mudanças que virão em sua vida. A força começa a voltar e se alcança um decisivo ponto, que é marcado pela decisão de ir em frente e deixar o que passou, ou de ficar no estado atual, como se o falecido estivesse fora e um dia fosse voltar. Há uma outra escolha, feita inconscientemente, na qual o sujeito decidi morrer e desistir. No nível emocional ocorre o desespero. Dentro do nível biológico o estresse crônico. No nível social há isolamento.

4. Cura: há uma mudança gradual de atitude e o controle vem lentamente, aos poucos. A pessoa une as forças que lhe dão o ímpeto para continuar com sua vida. A confiança também volta de forma irregular e vagarosamente. Esta fase é também um período de perdoar e esquecer. O que pode ser algo bem difícil, pois ao mesmo tempo, pode haver culpa e assim é necessário se auto-perdoar, além de tentar lidar com a raiva e vergonha por ter sido deixado sozinho. A motivação para seguir em frente, apesar de tudo,  faz a diferença. No nível emocional o sujeito ganha controle. Acontece a cura, no nível biológico. No nível social há uma re-estruturacao da identidade.

5. Renovação: esta fase é tão longa como as outras, e normalmente a mais difícil. No entanto, a dor diminui em grande parte. Obviamente que aniversários e datas especiais continuarão a ser difíceis, mas um sentimento de competência, devido à aceitação da responsabilidade consigo mesmo, dará força para que se tente coisas novas. Finalmente no nível emocional acontece um novo nível de funcionamento. No nível biológico a recuperação. E no nível social a renovação.


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