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Ausência temporária

take-a-breakNão desisti do blog gente, ainda quero colocar muitas informações aqui pra vocês, mas, por enquanto, tá difícil tirar um tempo para criar mais, pois todas as minhas criações estão direcionadas para a faculdade.

Estou no último ano, ou seja, o TCC e os relatórios estão devorando minha vida. Mas assim que o ano terminar, volto pra cá.

Quem sabe, neste meio tempo, nas férias, apareça alguma novidade? 😉
Então, torçam por mim e daqui a pouco mudarei de profissão e passarei de estudante para psicóloga, aí sim hein!!!

 

Canibalismo – parte 2

Continuando o post anterior da série Canibalismo, falaremos também das mais comuns expressões de amor como o ato de beijar, lamber,  morder, chupar que tão comumente fazem parte dos repertórios de pessoas que possuem proximidade e intimidade, e que denotam a vontade de possuir o outro, de tê-lo “dentro de si”. Esse desejo de ter a pessoa em si transparece nas palavras como “gostoso”, “comer”, “devorar”. Sendo que esta fantasia também está presente nas fábulas e histórias infantis, como a história da Chapeuzinho Vermelho e o Lobo Mau.

Devemos também mencionar o técnico de informática alemão Armin Weives que divulgou na internet o anúncio procurando um interessado em ser morto e devorado logo em seguida. Bernd Juergen Brandes foi o interessado em questão, que respondeu ao anúncio e marcou um jantar com Armin. Mas antes de ser assassinado, esquartejado, comido vagarosamente durante os dias seguintes, ele também provou de seu próprio corpo, e a parte selecionada foi seu pênis. Este crime, filmado e cometido em 2001, levou à prisão perpétua Armin, que ficou conhecido como o canibal de Rotemburgo e confessou que fez tudo isso por motivação sexual. Estes rituais são mais comuns do que podemos pensar.

Mas quando este canibalismo, inerente em nossas relações, se converte em crime, a raiva e agressividade geralmente estão presentes. No caso que mencionamos acima, Armin disse que tudo foi: “como um casamento, algo que o alçou a uma condição sobrenatural… Eu tinha a esperança de que ele se tornasse parte de mim” . Diversos casos de antropofagia possuem conotações sexuais, e representam o “ponto final da evolução perversa sexualmente sádica”.

De acordo com o psiquiatra e psicanalista Robert J. Stoller (1924-1991), da Faculdade de Medicina da Universidade da Califórnia em Los Angeles as raízes da perversão sexual estão no desenvolvimento, na infância, quando a criança começa a se separar do corpo da mãe, pois antes ela era uma coisa só com a mãe. No ritual antropofágico perverso esse elemento se projeta em um objeto que precisa ser destruído.

A pessoa sádica sente prazer em dominar totalmente seu objeto sexual. Através de humilhações, e situações degradantes ela eleva sua posição ao que equivale a divindade. Demonstrações de raiva e de ódio “despersonalizam” o outro. E quase sempre isso leva a atos violentos e obedece a regras que são restritas.

Os psicólogos Bruce A. Arrigo e Catherine E. Purcell, da Escola Califórnia de Psicologia Profissional em Fresno crêem que os traços de sadismo vêm de experiências de violência e de humilhações vividas na infância e na adolescência, mas se intensificam com influências sociais e/ou genéticas. Acredito que seja importante frisarmos que “experiências negativas durante a primeira infância podem promover alterações neurobiológicas muitas vezes irreversíveis” e também é possível que anomalias já existentes no cérebro interfiram no desenvolvimento psíquico.

Canibalismo – parte 1

De acordo com o dicionário de psicologia, a definição de canibalismo se constitui em: animais que devoram membros de sua espécie. Adaptando este conceito para o homem, surge o termo Antropofagia.

Não podemos falar de canibalismo sem falar de diferenças culturais e rituais religiosos, porque o que nos parece tão bizarro, para algumas culturas é extremamente comum. Os habitantes originais da Nova Zelândia, Indonésia e Austrália até antes do século XX faziam consumo da carne humana com o objetivo de incorporar os atributos que o morto possuía, como força, coragem etc. Aqui no Brasil os índios ianomâmes ainda usam cinzas de cadáveres nas pastas de bananas como forma de entrar em contato com as almas dos que já partiram.

Já os índios  da América pré-colombiana e os chineses da época da dinastia Chou (1122 a.C.-255 a.C), diferentemente de comer carne humana para realizar seus ritos religiosos, eles devoravam seus inimigos de guerra, como vingança, e para assimilar sua força e os serviam como prato principal em um jantar comemorativo.

Em situações extremas, como em casos de sobrevivência (canibalismo famélico), o antropofagismo também foi praticado, como no caso da Guerra dos Trinta Anos (1618-1648), entre outras situações que encontramos na história.

Com a disseminação do cristianismo e islamismo esta prática foi abandonada, e quando acontece hoje em dia, quase sempre está associada a transtornos psíquicos graves (canibalismo patológico), já que culturalmente não se pratica mais e religiosamente quase não se encontra mais registros da permanência destes hábitos.

Doenças como a esquizofrenia, transtornos graves de personalidade e a perversão sádica são as patologias mais relacionadas ao canibalismo patológico. No primeiro caso, a pessoa pode ter a sensação de que está se dissolvendo e sentir a necessidade de se reagrupar através da carne de outra pessoa, para ter de volta o próprio corpo. Alucinações também podem levar alguém a pensar que uma força pede ou exige que ele devore alguém para não ser perseguido, para cumprir uma missão etc., como no caso de Paul Reisinger, que assassinou seis mulheres entre 1779 e 1786 na Áustria, achando que enquanto comia o coração ainda palpitando teria sorte no jogo e poderia ser invisível. É importante frisar que em nenhumas destas doenças acima mencionadas, é regra que se cometa estes atos, muitas pessoas têm estas doenças e não cometem delitos violentos.

A continuação deste post se dará com uma segunda parte.

 Esta série é baseada no artigo de Nahlah Saimeh.

Aguardem!

Parabéns!


Minhas Férias

Oi pessoas, como vão?
Desculpem-me pela falta de novidades, neste mês de Julho, férias, estou mais ausente.

Voltarei com frequência no começo de Agosto, ok?

Estresse Pós-Traumático

O tão famoso Transtorno de Estresse Pós-Traumático, também conhecido como TEPT, é o post de hoje, conforme prometido no post sobre o Filme Refém do Silêncio.

Segundo o DSM IV, a definição deste Transtorno tão comum é a seguinte:

É o desenvolvimento de sintomas característicos, após ter vivenciado, presenciado, ouvido falar ou até assistido, fatos que lhe ameaçam sua integridade física, sua vida, ou de pessoas que lhe são próximas, sendo real ou somente ameaçador. Estes fatos são conhecidos como extremos estressores traumáticos.

Os sintomas característicos desta patologia, mencionados acima, são:

  • Revivência persistente do fato que lhe gerou o trauma de uma ou mais formas abaixo:
  1. recordações aflitivas, recorrentes e que são intrusivas, podendo ser imagens, pensamentos ou percepções (em crianças pequenas pode haver jogos repetitivos, com expressões de temas ou aspectos do trauma) .
  2.  sonhos, que serão aflitivos e recorrentes com o evento (em crianças os sonhos podem ser amendrontadores e sem um conteúdo identificável).
  3.  O sujeito também pode agir ou sentir como se o fato estivesse acontecendo novamente.
  4. O sofrimento psicológico intenso quando há exposição a indícios internos ou externos que simbolizam ou lembram algum aspecto do que aconteceu, também é extremamente comum e frequente.
  5. reatividade fisiológica quando exposto a indícios, internos ou externos,  que simbolizam ou que lembram algum aspecto do evento em questão.
  • Também há uma esquiva persistente de estímulos que foram associados ao trauma, indicados por três fatores ou mais dos que se apresentam abaixo:
  1. a pessoa se esforça para evitar pensamentos, sentimentos ou conversas relacionadas ao trauma;
  2. esforço também em evitar atividades, locais ou pessoas que tragam de volta recordações do evento;
  3. redução acentuada da participação ou interesse em atividades significativas;
  4. sensação de distanciamento ou afastamento em relação a outras pessoas;
  5. incapacidade de sentimentos como carinho, afeto, empatia;
  6. sentimento de um futuro abreviado, como se não esperasse ter uma carreira profissional, casamento, filhos ou até um período normal de vida.
  • Sintomas persistentes de excitabilidade aumentada, que não estavam presentes antes do trauma, e que são indicados por dois  ou mais dos seguintes abaixo:
  1. dificuldade em conciliar ou manter o sono;
  2. irritabilidade ou surtos de raiva;
  3. dificuldade em concentrar-se;
  4. hipervigilância;
  5. resposta de sobressalto exagerada.
  • A duração dos fatos acima comentados são sempre acima de 1 mês.
  • Este sofrimento causa prejuízo no funcionamento social, ou ocupacional, ou em outras áreas importantes da vida da pessoa.

É importante que o TEPT seja especificado em agudo, crônico ou com início tardio, sendo que o TEPT Agudo tem a duração dos sintomas inferior a 3 meses, o TEPT crônico apresenta os sintomas por 3 meses ou mais e o TEPT com início tardio é diagnosticado quando os sintomas ocorrem pelo menos 6 meses após o evento extressor.

O TEPT tem grande índice entre pessoas que sofreram torturas, foram pra guerras e  se tornaram exilados políticos.

Pode haver um risco aumentado com outras patologias, como: Transtorno de Pânico, Agorafobia, Transtorno Obsessivo-Compulsivo, Fobia Social, Fobia Específica, Transtorno Depressivo Maior, Transtorno de Somatização e Transtornos Relacionados a Substâncias.

Há uma questão que não consta no DSM IV, mas acho interessante abordarmos levemente: até que ponto os programas que exibem extrema violência podem causar o TEPT? Considerando que qualquer pessoa pode passar por este momento de Estresse Pós-Traumático e que não há um fator que o desencadeia a não ser os eventos traumáticos, e que estes podem ser visualizados e percebidos, o que nos diz que não é preciso que o sujeito passe realmente por eles. Somente ouvir e ver cenas pode sim desencadear esta doença, ainda mais quando se trata de crianças.  Até porque hoje não se tem mais o real controle do que se põe na TV durante as horas em que nossas pequenos estão ainda acordados. Devemos repensar sobre aquilo que colocamos diante de nós.

Associação de Amigos do Autista

Conheça o site e obtenha uma enxurrada de informações.