Arquivo para a categoria ‘Psicologia’

Mitos Infantis

papai-noelAproximando-se o Natal, época em que o bom velhinho faz a festa, acredito ser interessante pensarmos sobre o efeito, nas relações adultas,  da descoberta da ficção de personagens que durante a nossa infância são mais do que reais. Esta descoberta acontece, geralmente, por volta dos 6 ou 7 anos. Algumas crianças não se lembram de quando o personagem desapareceu de suas vidas, mas muitas lamentam a desilusão que passaram. Esta fase é uma época da vida infantil em que é preciso deixar o mundo encantado para trás, o que resulta em perdas e ganhos. O bicho papão vai embora, mas também a fada dos dentes.

Alguns adultos acreditam que estes mitos são tolices e vêem este desaparecimento como algo necessário para o processo de amadurecimento, o que não é totalmente uma inverdade, no entanto, desconsideram aspectos importantes. Esta etapa é fundamental para a constituição das bases de relacionamento com o outro e consigo ao longo da vida, pois trata-se da natureza das relações que a criança mantém com as pessoas que estão à sua volta que de uma forma ou de outra acabaram mentindo para ela, para sustentar os personagens.

 A garantia de continuar a receber presentes, parece minimizar o trauma da verdade sobre os mitos. O fato de fazerem parte do círculo das pessoas grandes/adultas, que acontece como rito de passagem, suaviza a perda da fantasia e lhe dá uma vantagem sobre as crianças menores por compartilhar uma missão de confiança, que seria guardar o segredo.

Gérald Bronner aconselha a parar de mentir para ela a partir do momento em que ela começa a ter dúvidas sobre a veracidade dos personagens e histórias, porém, não de uma forma rude ou brutal, deve-se utilizar de ternura e bondade com o sentimento e ilusões da criança, proporcionando que ela tenha uma maior iniciativa para desvendar o mistério sobre o objeto de sua curiosidade. No entanto, se a criança ainda não estiver preparada para encarar a verdade, é melhor aguardar o momento certo.

A última questão pendente: é necessário mesmo fazer a criança acreditar em Papai Noel? Não seria uma maneira de fazer com que tenham decepções no futuro? É claro que quem decide isso são os pais, e eles têm liberdade para tanto, porém, devemos lembrar que as relações que elas estabelecem em sua infância influenciarão as demais, quando adultas.

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Tramita na Câmara dos Deputados um Projeto de Lei, no qual, os profissionais registrados como Psicólogos trabalharão 30 horas semanais, ou seja, 6 horas por dia. Este projeto já foi aprovado na Câmara dos Senadores.

“Entendemos que a lei é que deve regulamentar a jornada de trabalho do psicólogo em todo o Brasil, a fim de contemplar, com a mesma proteção legal, profissionais sujeitos à mesma rotina e às mesmas pressões laborais”, argumenta o texto.

Para votar por este projeto clique na imagem acima e inclua seu nome e Email. Não é necessário colocar seu CRP.

Qualquer pessoa pode votar.

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Veja no site do CRP a Campanha ao Projeto

Mentes Criminosas

A série Criminal Minds, que é exibida nos canais Globo e AXN, mostra investigadores especializados em traçar perfis psicológicos de assassinos (todo tipo deles). Acho bem interessante porque ultrapassa o que vemos em aula, e ao mesmo tempo une informações que recebemos em sala e traz para a prática forense. Leva a teoria para a prática e desperta coisas fora do óbvio…

Eu particularmente estou apaixonada e recomendo!

Seminário: Racismo e Sofrimento Psíquico

“Com o objetivo de estabelecer de forma mais contínua e constante uma agenda sobre a relação da Psicologia com as questões étnico-raciais, o CRP SP promoveu o Seminário Racismo e Sofrimento Psíquico – Desafios para a Psicologia e para os(as) Psicólogos(as). A atividade pretende iniciar uma ampla discussão com a categoria e a sociedade sobre aspectos que envolvem a saúde da população negra, bem como, as conseqüências do racismo em todas as dimensões da vida desta população”.

Clique aqui e assista ao Seminário que aconteceu no dia 07.12.2011

Canibalismo – parte 2

Continuando o post anterior da série Canibalismo, falaremos também das mais comuns expressões de amor como o ato de beijar, lamber,  morder, chupar que tão comumente fazem parte dos repertórios de pessoas que possuem proximidade e intimidade, e que denotam a vontade de possuir o outro, de tê-lo “dentro de si”. Esse desejo de ter a pessoa em si transparece nas palavras como “gostoso”, “comer”, “devorar”. Sendo que esta fantasia também está presente nas fábulas e histórias infantis, como a história da Chapeuzinho Vermelho e o Lobo Mau.

Devemos também mencionar o técnico de informática alemão Armin Weives que divulgou na internet o anúncio procurando um interessado em ser morto e devorado logo em seguida. Bernd Juergen Brandes foi o interessado em questão, que respondeu ao anúncio e marcou um jantar com Armin. Mas antes de ser assassinado, esquartejado, comido vagarosamente durante os dias seguintes, ele também provou de seu próprio corpo, e a parte selecionada foi seu pênis. Este crime, filmado e cometido em 2001, levou à prisão perpétua Armin, que ficou conhecido como o canibal de Rotemburgo e confessou que fez tudo isso por motivação sexual. Estes rituais são mais comuns do que podemos pensar.

Mas quando este canibalismo, inerente em nossas relações, se converte em crime, a raiva e agressividade geralmente estão presentes. No caso que mencionamos acima, Armin disse que tudo foi: “como um casamento, algo que o alçou a uma condição sobrenatural… Eu tinha a esperança de que ele se tornasse parte de mim” . Diversos casos de antropofagia possuem conotações sexuais, e representam o “ponto final da evolução perversa sexualmente sádica”.

De acordo com o psiquiatra e psicanalista Robert J. Stoller (1924-1991), da Faculdade de Medicina da Universidade da Califórnia em Los Angeles as raízes da perversão sexual estão no desenvolvimento, na infância, quando a criança começa a se separar do corpo da mãe, pois antes ela era uma coisa só com a mãe. No ritual antropofágico perverso esse elemento se projeta em um objeto que precisa ser destruído.

A pessoa sádica sente prazer em dominar totalmente seu objeto sexual. Através de humilhações, e situações degradantes ela eleva sua posição ao que equivale a divindade. Demonstrações de raiva e de ódio “despersonalizam” o outro. E quase sempre isso leva a atos violentos e obedece a regras que são restritas.

Os psicólogos Bruce A. Arrigo e Catherine E. Purcell, da Escola Califórnia de Psicologia Profissional em Fresno crêem que os traços de sadismo vêm de experiências de violência e de humilhações vividas na infância e na adolescência, mas se intensificam com influências sociais e/ou genéticas. Acredito que seja importante frisarmos que “experiências negativas durante a primeira infância podem promover alterações neurobiológicas muitas vezes irreversíveis” e também é possível que anomalias já existentes no cérebro interfiram no desenvolvimento psíquico.

Em Terapia

A série televisiva exibida pela HBO mostra na íntegra as sessões de terapia que o psicanalista Dr. Paul Weston, oferece aos seus diversos pacientes. Eu particularmente assisti a um episódio somente, e achei sensacional, para mim está extremamente fiel ao que acontece em terapia. Se você tem acesso ao canal, vale a pena conferir.

 

 

Canibalismo – parte 1

De acordo com o dicionário de psicologia, a definição de canibalismo se constitui em: animais que devoram membros de sua espécie. Adaptando este conceito para o homem, surge o termo Antropofagia.

Não podemos falar de canibalismo sem falar de diferenças culturais e rituais religiosos, porque o que nos parece tão bizarro, para algumas culturas é extremamente comum. Os habitantes originais da Nova Zelândia, Indonésia e Austrália até antes do século XX faziam consumo da carne humana com o objetivo de incorporar os atributos que o morto possuía, como força, coragem etc. Aqui no Brasil os índios ianomâmes ainda usam cinzas de cadáveres nas pastas de bananas como forma de entrar em contato com as almas dos que já partiram.

Já os índios  da América pré-colombiana e os chineses da época da dinastia Chou (1122 a.C.-255 a.C), diferentemente de comer carne humana para realizar seus ritos religiosos, eles devoravam seus inimigos de guerra, como vingança, e para assimilar sua força e os serviam como prato principal em um jantar comemorativo.

Em situações extremas, como em casos de sobrevivência (canibalismo famélico), o antropofagismo também foi praticado, como no caso da Guerra dos Trinta Anos (1618-1648), entre outras situações que encontramos na história.

Com a disseminação do cristianismo e islamismo esta prática foi abandonada, e quando acontece hoje em dia, quase sempre está associada a transtornos psíquicos graves (canibalismo patológico), já que culturalmente não se pratica mais e religiosamente quase não se encontra mais registros da permanência destes hábitos.

Doenças como a esquizofrenia, transtornos graves de personalidade e a perversão sádica são as patologias mais relacionadas ao canibalismo patológico. No primeiro caso, a pessoa pode ter a sensação de que está se dissolvendo e sentir a necessidade de se reagrupar através da carne de outra pessoa, para ter de volta o próprio corpo. Alucinações também podem levar alguém a pensar que uma força pede ou exige que ele devore alguém para não ser perseguido, para cumprir uma missão etc., como no caso de Paul Reisinger, que assassinou seis mulheres entre 1779 e 1786 na Áustria, achando que enquanto comia o coração ainda palpitando teria sorte no jogo e poderia ser invisível. É importante frisar que em nenhumas destas doenças acima mencionadas, é regra que se cometa estes atos, muitas pessoas têm estas doenças e não cometem delitos violentos.

A continuação deste post se dará com uma segunda parte.

 Esta série é baseada no artigo de Nahlah Saimeh.

Aguardem!