Posts marcados ‘Psicologia’

A cadeira do meio

blogJá notou que em muitos transportes públicos a cadeira do meio, em um banco com três lugares, é a última a ser ocupada? Algumas pessoas preferem seguir a viagem de pé do que se sentar entre dois estranhos.

Também percebemos que praticamente todos os passageiros buscam lugares, quando com dois bancos, vazios, para não sentar ao lado de ninguém.

Geralmente a tensão começa quando os ocupantes da janela e do corredor desencorajam o passageiro colando seus pertences no assento livre, ou então, evitam olhar nos olhos de quem busca um lugar para se assentar.

Richard E. Wener, psicólogo ambiental dos EUA, diz que a questão está em enfrentar o não-planejados, como roçar o braço no vizinho, e isto gera ansiedade por prejudicar o senso de controle e previsibilidade.

Para o psicólogo, utilizar o braço do assento, auxilia a diminuir o estresse e faz com que o passageiro demarque seu território.

Anúncios

Tramita na Câmara dos Deputados um Projeto de Lei, no qual, os profissionais registrados como Psicólogos trabalharão 30 horas semanais, ou seja, 6 horas por dia. Este projeto já foi aprovado na Câmara dos Senadores.

“Entendemos que a lei é que deve regulamentar a jornada de trabalho do psicólogo em todo o Brasil, a fim de contemplar, com a mesma proteção legal, profissionais sujeitos à mesma rotina e às mesmas pressões laborais”, argumenta o texto.

Para votar por este projeto clique na imagem acima e inclua seu nome e Email. Não é necessário colocar seu CRP.

Qualquer pessoa pode votar.

Faça sua parte e contribua para uma carga horária justa à categoria.

Vote!

Veja no site do CRP a Campanha ao Projeto

Perversão

A palavra perversão vem do latim perversione que quer dizer perverter, tornar-se perverso, desmoralizar, corromper, depravar ou alterar. Refere-se a uma determinada estrutura psíquica e subjetiva. Na psicologia é utilizado para descrever um desvio (resultado destas estruturas) de comportamento humano considerados normais para um grupo social específico, considerando-se que o conceito do que é normal muda frequentemente de acordo com o tempo e lugar. O termo também é constantemente aplicado a desejos sexuais que não são considerados normais, como a pedofilia,o masoquismo, o sadismo, o voyeurismo, por exemplo. Antigamente o termo se aplicava também à masturbação, mas como prova de que o conceito de normalidade é alterado pelo tempo, hoje é tida como normal.

Porém, o conceito também pode ser aplicado a questões morais, tratando-se de tendências afetivas e morais contraditórias às do ambiente social em questão. Como exemplo, cito nosso código penal,no qual alguns comportamentos foram considerados perversos, como o atentado ao pudor e o atentado violento ao pudor.

Porém o que gostaria de focar, é a questão da anomalia psíquica, ou seja, o funcionamento cerebral, fora do normal, desta pessoa, seja por um déficit intelectual, instabilidade emocional, doença mental, etc. O comportamento de uma pessoa pervertida estaria relacionado ao nível intelectual dela, pois as pessoas que possuem um nível intelectual inferior seriam brutais, impulsivas, sem dissimulação dos seus atos e os indivíduos com um nível intelectual bom seriam dissimulados, astuciosos, agiriam de forma encoberta. De forma geral as pessoas que são perversas não sente ou não manifestam seus próprios desejos e necessidades, e submetem seus gestos à vontade de outros. Ao contrário do que acreditava Freud e Lacan, Masud Khan diz que eles não conseguem desejar, pois nunca souberam o que é isto, já que tiveram, desde a infância, suas vontades extirpadas pelos pais. Khan ainda diz que a inveja é  o que move o perverso, a inveja do desejo que o outro sente, pois seus próprios desejos o fazem infeliz, o perturbam, já que nunca foram aceitos ou suportados pelos pais e consequentemente por ele também.

De acordo com diversos estudiosos do tema, alguns comportamentos são característicos, como:

  • Sedução: ele seduz as pessoas para poder manipular e controlar. Usa o choro, a incitação sexual, seu poder financeiro e outras para ter em seu controle as demais pessoas. Ele sempre tira proveito da sedução.
  • Vampirismo: ele suga energia e recursos de outras pessoas para continuar vivendo. Se for um adulto, é comum que continue recebendo auxílio dos pais e parentes. Também pode aplicar golpes, como engravidar constantemente para viver de pensão. Não gostam do trabalho próprio para seu sustento.
  • Escolha narcísica do objeto: procura se relacionar mais intimamente com quem se parece com ele ou quem ele inveja, para que desta forma ele acabe se relacionando com ele mesmo. Quase nunca se preocupa com a necessidade do outro.
  • Mentira: é um mentiroso patológico, e o faz muito bem, convencendo a todos ao redor de que está certo. Utiliza a mentira para tirar vantagem, lucro dos demais, mesmo que traga prejuízos para eles. São muito teatrais e não possuem constrangimentos.
  • Problemas com autoridade, lei e/ou moral: sentem-se desconfortáveis quando têm que seguir alguma regra, ou quando estão sob a ordem de chefes, parceiro, juiz, etc. Quando são obrigados a fazer algo que não queriam sabotam o trabalho ou fazem mal feito.

Acredito ser importante frisar que a perversidade manifesta (psicopatia) não está necessariamente associada à perversão, já que perversidade e perversão não são a mesma coisa. Porém em casos mais graves de perversão, pode-se detectar evidências de perversidade (psicopatia).

Canibalismo – parte 2

Continuando o post anterior da série Canibalismo, falaremos também das mais comuns expressões de amor como o ato de beijar, lamber,  morder, chupar que tão comumente fazem parte dos repertórios de pessoas que possuem proximidade e intimidade, e que denotam a vontade de possuir o outro, de tê-lo “dentro de si”. Esse desejo de ter a pessoa em si transparece nas palavras como “gostoso”, “comer”, “devorar”. Sendo que esta fantasia também está presente nas fábulas e histórias infantis, como a história da Chapeuzinho Vermelho e o Lobo Mau.

Devemos também mencionar o técnico de informática alemão Armin Weives que divulgou na internet o anúncio procurando um interessado em ser morto e devorado logo em seguida. Bernd Juergen Brandes foi o interessado em questão, que respondeu ao anúncio e marcou um jantar com Armin. Mas antes de ser assassinado, esquartejado, comido vagarosamente durante os dias seguintes, ele também provou de seu próprio corpo, e a parte selecionada foi seu pênis. Este crime, filmado e cometido em 2001, levou à prisão perpétua Armin, que ficou conhecido como o canibal de Rotemburgo e confessou que fez tudo isso por motivação sexual. Estes rituais são mais comuns do que podemos pensar.

Mas quando este canibalismo, inerente em nossas relações, se converte em crime, a raiva e agressividade geralmente estão presentes. No caso que mencionamos acima, Armin disse que tudo foi: “como um casamento, algo que o alçou a uma condição sobrenatural… Eu tinha a esperança de que ele se tornasse parte de mim” . Diversos casos de antropofagia possuem conotações sexuais, e representam o “ponto final da evolução perversa sexualmente sádica”.

De acordo com o psiquiatra e psicanalista Robert J. Stoller (1924-1991), da Faculdade de Medicina da Universidade da Califórnia em Los Angeles as raízes da perversão sexual estão no desenvolvimento, na infância, quando a criança começa a se separar do corpo da mãe, pois antes ela era uma coisa só com a mãe. No ritual antropofágico perverso esse elemento se projeta em um objeto que precisa ser destruído.

A pessoa sádica sente prazer em dominar totalmente seu objeto sexual. Através de humilhações, e situações degradantes ela eleva sua posição ao que equivale a divindade. Demonstrações de raiva e de ódio “despersonalizam” o outro. E quase sempre isso leva a atos violentos e obedece a regras que são restritas.

Os psicólogos Bruce A. Arrigo e Catherine E. Purcell, da Escola Califórnia de Psicologia Profissional em Fresno crêem que os traços de sadismo vêm de experiências de violência e de humilhações vividas na infância e na adolescência, mas se intensificam com influências sociais e/ou genéticas. Acredito que seja importante frisarmos que “experiências negativas durante a primeira infância podem promover alterações neurobiológicas muitas vezes irreversíveis” e também é possível que anomalias já existentes no cérebro interfiram no desenvolvimento psíquico.

A Origem

Sinopse: Cobb (Leonardo DiCaprio) une uma equipe para atender ao  chamado de um poderoso empresário, que solicita que ele adentre ao inconsciente de um concorrente empresarial para implantar uma ideia arriscada. O filme se passa dentro de desdobramentos dos sonhos dos integrantes. Trata-se de uma ficção cientifica que ganhou  o Oscar de Melhor Fotografia, Melhor Mixagem de Som, Melhor Edição de Som, Melhores Efeitos Especiais.

Trailer

Neste filme podemos observar a reação do inconsciente ao que  parece ser aterrorizante. Vemos como ele se defende e como utiliza os recursos para defender a pessoa do que é  muito doloroso para vir até a consciência.

O Luto – parte 3

Nesta terceira e última parte partiremos para o estudo das 5 fases do luto, como já mencionamos nos posts anteriores (Luto – parte 1 e Luto – parte 2).

As 5 fases deste doloroso processo consistem em: 1. Choque; 2. Consciência da perda; 3. Conservação – retirada; 4. Cura e 5. Renovação. Estas fases também estão submetidas a 3 niveis:  emocional, biológico e social.

1. Choque: o enlutado fica entre um confuso estado de descrença e um imenso estado de alarme. A pessoa também sente uma espécie de anestesia dos sentimentos, o que acaba protegendo-a do grande sofrimento que ainda sentirá. No nível emocional há um impacto. No nível biológico um trauma. E socialmente acontece egocentrismo.

2. Consciência da perda: acontece à medida em que o torpor começa a desaparecer, e então, o sujeito confronta-se com a perda em questão. Surge a ansiedade da separação enquanto o enlutado prepara-se para o que sente como um esgotamento nervoso. Os sentimentos de perigo que predominam agora, fazem com que pareça não haver nenhum lugar seguro. O nível emocional refere-se à ansiedade. Biologicamente acontece o estresse agudo. Socialmente  há uma regressão.

3. Conservação – retirada: uma grande fadiga atinge o enlutado e as mais simples tarefas parecem difíceis. Esta fase se parece muito com a depressão, o que pode assustar a pessoa, pois ela acaba tendo que se retirar para preservar a pouca energia que lhe resta neste momento. No entanto, é neste período que a pessoa consegue fazer o trabalho de luto necessário. Longe dos outros, ela pode digerir a situação e se preocupar com o que/quem foi perdido. Percebe então, que não há nada que se possa fazer para ter de volta o que se perdeu.  O trabalho de luto, depende assim, da aceitação da perda e das mudanças que virão em sua vida. A força começa a voltar e se alcança um decisivo ponto, que é marcado pela decisão de ir em frente e deixar o que passou, ou de ficar no estado atual, como se o falecido estivesse fora e um dia fosse voltar. Há uma outra escolha, feita inconscientemente, na qual o sujeito decidi morrer e desistir. No nível emocional ocorre o desespero. Dentro do nível biológico o estresse crônico. No nível social há isolamento.

4. Cura: há uma mudança gradual de atitude e o controle vem lentamente, aos poucos. A pessoa une as forças que lhe dão o ímpeto para continuar com sua vida. A confiança também volta de forma irregular e vagarosamente. Esta fase é também um período de perdoar e esquecer. O que pode ser algo bem difícil, pois ao mesmo tempo, pode haver culpa e assim é necessário se auto-perdoar, além de tentar lidar com a raiva e vergonha por ter sido deixado sozinho. A motivação para seguir em frente, apesar de tudo,  faz a diferença. No nível emocional o sujeito ganha controle. Acontece a cura, no nível biológico. No nível social há uma re-estruturacao da identidade.

5. Renovação: esta fase é tão longa como as outras, e normalmente a mais difícil. No entanto, a dor diminui em grande parte. Obviamente que aniversários e datas especiais continuarão a ser difíceis, mas um sentimento de competência, devido à aceitação da responsabilidade consigo mesmo, dará força para que se tente coisas novas. Finalmente no nível emocional acontece um novo nível de funcionamento. No nível biológico a recuperação. E no nível social a renovação.


Código de Ética de Psicologia

Para obtê-lo em pdf e versão integral clique aqui.

PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS
I. O psicólogo baseará o seu trabalho no respeito e na promoção
da liberdade, da dignidade, da igualdade e da integridade
do ser humano, apoiado nos valores que embasam a Declaração
Universal dos Direitos Humanos.
II. O psicólogo trabalhará visando promover a saúde e a qualidade
de vida das pessoas e das coletividades e contribuirá para
a eliminação de quaisquer formas de negligência, discriminação,
exploração, violência, crueldade e opressão.
III. O psicólogo atuará com responsabilidade social, analisando
crítica e historicamente a realidade política, econômica, social e
cultural.
IV. O psicólogo atuará com responsabilidade, por meio do
contínuo aprimoramento profissional, contribuindo para o desenvolvimento
da Psicologia como campo científico de conhecimento
e de prática.
V. O psicólogo contribuirá para promover a universalização do
acesso da população às informações, ao conhecimento da ciência
psicológica, aos serviços e aos padrões éticos da profissão.
VI. O psicólogo zelará para que o exercício profissional seja
efetuado com dignidade, rejeitando situações em que a Psicologia
esteja sendo aviltada.
VII. O psicólogo considerará as relações de poder nos contextos
em que atua e os impactos dessas relações sobre as suas atividades
profissionais, posicionando-se de forma crítica e em consonância
com os demais princípios deste Código.

DAS RESPONSABILIDADES DO PSICÓLOGO
Art. 1º – São deveres fundamentais dos psicólogos:
a) Conhecer, divulgar, cumprir e fazer cumprir este Código;
b) Assumir responsabilidades profissionais somente por atividades
para as quais esteja capacitado pessoal, teórica e tecnicamente;
c) Prestar serviços psicológicos de qualidade, em condições de
trabalho dignas e apropriadas à natureza desses serviços, utilizando
princípios, conhecimentos e técnicas reconhecidamente fundamentados
na ciência psicológica, na ética e na legislação profissional;
d) Prestar serviços profissionais em situações de calamidade pública
ou de emergência, sem visar benefício pessoal;
e) Estabelecer acordos de prestação de serviços que respeitem os
direitos do usuário ou beneficiário de serviços de Psicologia;
f) Fornecer, a quem de direito, na prestação de serviços psicológicos,
informações concernentes ao trabalho a ser realizado e ao seu
objetivo profissional;
g) Informar, a quem de direito, os resultados decorrentes da prestação
de serviços psicológicos, transmitindo somente o que for necessário
para a tomada de decisões que afetem o usuário ou beneficiário;
h) Orientar a quem de direito sobre os encaminhamentos apropriados,
a partir da prestação de serviços psicológicos, e fornecer,
sempre que solicitado, os documentos pertinentes ao bom termo do
trabalho;
i) Zelar para que a comercialização, aquisição, doação, empréstimo,
guarda e forma de divulgação do material privativo do psicólogo
sejam feitas conforme os princípios deste Código;

j) Ter, para com o trabalho dos psicólogos e de outros profissionais,
respeito, consideração e solidariedade, e, quando solicitado,
colaborar com estes, salvo impedimento por motivo relevante;
k) Sugerir serviços de outros psicólogos, sempre que, por motivos
justificáveis, não puderem ser continuados pelo profissional que os
assumiu inicialmente, fornecendo ao seu substituto as informações
necessárias à continuidade do trabalho;
l) Levar ao conhecimento das instâncias competentes o exercício
ilegal ou irregular da profissão, transgressões a princípios e diretrizes
deste Código ou da legislação profissional.
Art. 2º – Ao psicólogo é vedado:
a) Praticar ou ser conivente com quaisquer atos que caracterizem
negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade ou
opressão;
b) Induzir a convicções políticas, filosóficas, morais, ideológicas,
religiosas, de orientação sexual ou a qualquer tipo de preconceito,
quando do exercício de suas funções profissionais;
c) Utilizar ou favorecer o uso de conhecimento e a utilização de
práticas psicológicas como instrumentos de castigo, tortura ou qualquer
forma de violência;
d) Acumpliciar-se com pessoas ou organizações que exerçam ou
favoreçam o exercício ilegal da profissão de psicólogo ou de qualquer
outra atividade profissional;
e) Ser conivente com erros, faltas éticas, violação de direitos, crimes
ou contravenções penais praticados por psicólogos na prestação
de serviços profissionais;

f) Prestar serviços ou vincular o título de psicólogo a serviços de
atendimento psicológico cujos procedimentos, técnicas e meios não
estejam regulamentados ou reconhecidos pela profissão;
g) Emitir documentos sem fundamentação e qualidade técnicocientífica;
h) Interferir na validade e fidedignidade de instrumentos e técnicas
psicológicas, adulterar seus resultados ou fazer declarações falsas;
i) Induzir qualquer pessoa ou organização a recorrer a seus serviços;
j) Estabelecer com a pessoa atendida, familiar ou terceiro, que
tenha vínculo com o atendido, relação que possa interferir negativamente
nos objetivos do serviço prestado;
k) Ser perito, avaliador ou parecerista em situações nas quais seus
vínculos pessoais ou profissionais, atuais ou anteriores, possam afetar
a qualidade do trabalho a ser realizado ou a fidelidade aos resultados
da avaliação;
l) Desviar para serviço particular ou de outra instituição, visando
benefício próprio, pessoas ou organizações atendidas por instituição
com a qual mantenha qualquer tipo de vínculo profissional;
m) Prestar serviços profissionais a organizações concorrentes
de modo que possam resultar em prejuízo para as partes envolvidas,
decorrentes de informações privilegiadas;
n) Prolongar, desnecessariamente, a prestação de serviços profissionais;
o) Pleitear ou receber comissões, empréstimos, doações ou vantagens
outras de qualquer espécie, além dos honorários contratados,
assim como intermediar transações financeiras;

p) Receber, pagar remuneração ou porcentagem por encaminhamento
de serviços;
q) Realizar diagnósticos, divulgar procedimentos ou apresentar
resultados de serviços psicológicos em meios de comunicação, de
forma a expor pessoas, grupos ou organizações.
Art. 3º – O psicólogo, para ingressar, associar-se ou permanecer
em uma organização, considerará a missão, a filosofia, as políticas,
as normas e as práticas nela vigentes e sua compatibilidade com os
princípios e regras deste Código.
Parágrafo único: Existindo incompatibilidade, cabe ao psicólogo
recusar-se a prestar serviços e, se pertinente, apresentar denúncia ao
órgão competente.
Art. 4º – Ao fixar a remuneração pelo seu trabalho, o psicólogo:
a) Levará em conta a justa retribuição aos serviços prestados e as
condições do usuário ou beneficiário;
b) Estipulará o valor de acordo com as características da atividade
e o comunicará ao usuário ou beneficiário antes do início do trabalho
a ser realizado;
c) Assegurará a qualidade dos serviços oferecidos independentemente
do valor acordado.
Art. 5º – O psicólogo, quando participar de greves ou paralisações,
garantirá que:
a) As atividades de emergência não sejam interrompidas;
b) Haja prévia comunicação da paralisação aos usuários ou beneficiários
dos serviços atingidos pela mesma.

Art. 6º – O psicólogo, no relacionamento com profissionais não
psicólogos:
a) Encaminhará a profissionais ou entidades habilitados e qualificados
demandas que extrapolem seu campo de atuação;
b) Compartilhará somente informações relevantes para qualificar
o serviço prestado, resguardando o caráter confidencial das comunicações,
assinalando a responsabilidade, de quem as receber, de
preservar o sigilo.
Art. 7º – O psicólogo poderá intervir na prestação de serviços
psicológicos que estejam sendo efetuados por outro profissional, nas
seguintes situações:
a) A pedido do profissional responsável pelo serviço;
b) Em caso de emergência ou risco ao beneficiário ou usuário do
serviço, quando dará imediata ciência ao profissional;
c) Quando informado expressamente, por qualquer uma das partes,
da interrupção voluntária e definitiva do serviço;
d) Quando se tratar de trabalho multiprofissional e a intervenção
fizer parte da metodologia adotada.
Art. 8º – Para realizar atendimento não eventual de criança,
adolescente ou interdito, o psicólogo deverá obter autorização de
ao menos um de seus responsáveis, observadas as determinações da
legislação vigente:
§1° – No caso de não se apresentar um responsável legal, o
atendimento deverá ser efetuado e comunicado às autoridades competentes;

§2° – O psicólogo responsabilizar-se-á pelos encaminhamentos
que se fizerem necessários para garantir a proteção integral do
atendido.
Art. 9º – É dever do psicólogo respeitar o sigilo profissional a fim
de proteger, por meio da confidencialidade, a intimidade das pessoas,
grupos ou organizações, a que tenha acesso no exercício profissional.
Art. 10 – Nas situações em que se configure conflito entre as
exigências decorrentes do disposto no Art. 9º e as afirmações dos
princípios fundamentais deste Código, excetuando-se os casos previstos
em lei, o psicólogo poderá decidir pela quebra de sigilo, baseando
sua decisão na busca do menor prejuízo.
Parágrafo único – Em caso de quebra do sigilo previsto no caput
deste artigo, o psicólogo deverá restringir-se a prestar as informações
estritamente necessárias.
Art. 11 – Quando requisitado a depor em juízo, o psicólogo poderá
prestar informações, considerando o previsto neste Código.
Art. 12 – Nos documentos que embasam as atividades em equipe
multiprofissional, o psicólogo registrará apenas as informações necessárias
para o cumprimento dos objetivos do trabalho.
Art. 13 – No atendimento à criança, ao adolescente ou ao interdito,
deve ser comunicado aos responsáveis o estritamente essencial
para se promoverem medidas em seu benefício.
Art. 14 – A utilização de quaisquer meios de registro e observação
da prática psicológica obedecerá às normas deste Código e a legislação
profissional vigente, devendo o usuário ou beneficiário, desde o
início, ser informado.

Art. 15 – Em caso de interrupção do trabalho do psicólogo, por
quaisquer motivos, ele deverá zelar pelo destino dos seus arquivos
confidenciais.
§ 1° – Em caso de demissão ou exoneração, o psicólogo deverá
repassar todo o material ao psicólogo que vier a substituí-lo, ou
lacrá-lo para posterior utilização pelo psicólogo substituto.
§ 2° – Em caso de extinção do serviço de Psicologia, o psicólogo
responsável informará ao Conselho Regional de Psicologia, que
providenciará a destinação dos arquivos confidenciais.
Art. 16 – O psicólogo, na realização de estudos, pesquisas e atividades
voltadas para a produção de conhecimento e desenvolvimento
de tecnologias:
a) Avaliará os riscos envolvidos, tanto pelos procedimentos, como
pela divulgação dos resultados, com o objetivo de proteger as pessoas,
grupos, organizações e comunidades envolvidas;
b) Garantirá o caráter voluntário da participação dos envolvidos,
mediante consentimento livre e esclarecido, salvo nas situações
previstas em legislação específica e respeitando os princípios deste
Código;
c) Garantirá o anonimato das pessoas, grupos ou organizações,
salvo interesse manifesto destes;
d) Garantirá o acesso das pessoas, grupos ou organizações aos
resultados das pesquisas ou estudos, após seu encerramento, sempre
que assim o desejarem.
Art. 17 – Caberá aos psicólogos docentes ou supervisores esclarecer,
informar, orientar e exigir dos estudantes a observância dos
princípios e normas contidas neste Código.

Art. 18 – O psicólogo não divulgará, ensinará, cederá, emprestará
ou venderá a leigos instrumentos e técnicas psicológicas que
permitam ou facilitem o exercício ilegal da profissão.
Art. 19 – O psicólogo, ao participar de atividade em veículos de
comunicação, zelará para que as informações prestadas disseminem o
conhecimento a respeito das atribuições, da base científica e do papel
social da profissão.
Art. 20 – O psicólogo, ao promover publicamente seus serviços,
por quaisquer meios, individual ou coletivamente:
a) Informará o seu nome completo, o CRP e seu número de
registro;
b) Fará referência apenas a títulos ou qualificações profissionais
que possua;
c) Divulgará somente qualificações, atividades e recursos relativos
a técnicas e práticas que estejam reconhecidas ou regulamentadas
pela profissão;
d) Não utilizará o preço do serviço como forma de propaganda;
e) Não fará previsão taxativa de resultados;
f) Não fará auto-promoção em detrimento de outros profissionais;
g) Não proporá atividades que sejam atribuições privativas de
outras categorias profissionais;
h) Não fará divulgação sensacionalista das atividades profissionais.

DAS DISPOSIÇÕES GERAIS
Art. 21 – As transgressões dos preceitos deste Código constituem
infração disciplinar com a aplicação das seguintes penalidades, na
forma dos dispositivos legais ou regimentais:
a) Advertência;
b) Multa;
c) Censura pública;
d) Suspensão do exercício profissional, por até 30 (trinta) dias, ad
referendum do Conselho Federal de Psicologia;
e) Cassação do exercício profissional, ad referendum do Conselho
Federal de Psicologia.
Art. 22 – As dúvidas na observância deste Código e os casos
omissos serão resolvidos pelos Conselhos Regionais de Psicologia, ad
referendum do Conselho Federal de Psicologia.
Art. 23 – Competirá ao Conselho Federal de Psicologia firmar
jurisprudência quanto aos casos omissos e fazê-la incorporar a este
Código.
Art. 24 – O presente Código poderá ser alterado pelo Conselho
Federal de Psicologia, por iniciativa própria ou da categoria, ouvidos
os Conselhos Regionais de Psicologia.
Art. 25 – Este Código entra em vigor em 27 de agosto de 2005.